Após avaliações e discussões promovidas por um grupo multicêntrico de leucemia mieloide crônica da ABHH, a entidade encaminhou, por meio de ofício, sugestões de mudanças em resposta à consulta pública nº 09, referente ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da LMC. O texto foi colocado em análise da comunidade pela Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (SAS/MS), no período de 8 de maio a 8 de junho.

Para balizar as proposições de atualização do protocolo e dos guidelines, os hematologistas utilizaram novas informações da literatura médica e a diretriz da LMC, publicada na Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, periódico científico da ABHH, e no Projeto Diretrizes AMB, em 2012.

Entre os apontamentos efetivados pelo grupo, estão os critérios de transformação – descritos na introdução do documento; critérios de inclusão; condutas conforme as linhas terapêuticas; monitorização do tratamento; determinantes de mudança ou interrupção do tratamento.

De acordo com a hematologista e integrante do grupo Katia Pagnano (Unicamp), um ponto criticado pelos especialistas foi o escalonamento de dose na falha terapêutica, sendo indicada troca de inibidor. Em relação à inclusão no protocolo, a indicação dos hematologistas é de que não seja fator limitador o critério da idade, conforme previsto pela CP. Embora haja uma portaria que contemple a LMC na infância, a ABHH defende que, por se tratar da mesma doença, todas as faixas etárias estejam previstas na Portaria.

Em relação às opções terapêuticas da LMC, a entidade defendeu a incorporação em primeira linha dos inibidores de tirosina quinase – dasatinibe e nilotinibe -, além do imatinibe. “Para os pacientes, é importante que estejam disponíveis as três drogas, pois isso amplia o leque terapêutico tanto em primeira como segunda linha. Como o perfil de toxicidade das drogas é um pouco diferente, também auxilia na individualização do tratamento”, justifica Katia.

A hematologista, que participou entre 13 a 18 de julho do 18º Congresso da European Hematology Association (EHA), relatou que em relação à inclusão dos três fármacos em primeira linha, a indicação do grupo de LMC da ABHH está alinhada à atualização dos guidelines do European Leukemia Net 2013, que foi inclusive aceita para publicação e divulgada no EHA como diretriz terapêutica de LMC a especialistas de todo o mundo.

Na avaliação do presidente da ABHH, Carmino Antonio de Souza, apesar das contribuições do grupo e da matéria estar em consulta pública, o avanço terapêutico no campo da LMC só será real se houver um sistema de monitoramento molecular capaz de balizar as várias trocas terapêuticas.

O grupo multicêntrico de LMC da ABHH é composto pelo presidente e os membros da entidade Adriana Seber, Belinda P. Simões, Israel Bendit, Katia Pagnano, Monika Conchon e Vaneza Pranke.

Confira aqui o documento na íntegra 

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