A falta de interesse comercial por parte da indústria farmacêutica é o principal motivo para o desabastecimento de remédios de baixo custo no Brasil. A declaração é do presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), Cláudio Galvão de Castro Júnior e foi feita durante o 1º Fórum sobre a Disponibilidade de Acesso à Medicação no Brasil. Organizado pela ABHH, o evento reuniu sociedades médicas, pacientes, indústria farmacêutica e agências reguladoras na primeira quinzena do mês.

“Alguns medicamentos estão sendo descontinuados e isso é muito grave. São drogas consagradas e com resultados fantásticos. Mesmo os tratamentos modernos usam essas drogas de forma complementar”, disse o especialista. Segundo Galvão, uma das causas para o problema é a perda da margem de lucro pela indústria farmacêutica, às vezes insuficientes para cobrir os custos de produção e drogas que ficam restritas a pequenos nichos do mercado.

 “Os novos tratamentos oncológicos não são eficientes sem o uso de drogas que atuam de forma complementar. São poucos remédios que substituem por completo um tratamento e, mesmo nesses casos, as novas terapias são muito caras. Por isso, é de extrema importância usarmos medicamentos de baixo custo e que estão consagrados no tratamento oncológico, como a Daunorrubicina”, diz o especialista.

Sobre o desabastecimento da Bleomicina, medicamento usado no tratamento de linfomas, o gerente substituto de Avaliação de Tecnologia de Registro de Medicamentos Sintéticos da Anvisa, Raphael Sanches Pereira, explicou durante o evento que o órgão está ciente do desabastecimento, reconhece a gravidade da falta da droga e que está em contato com duas empresas para a regularização do medicamento.

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